quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Polícia Militar lança programa para pessoas desaparecidas



Familiares de desaparecidos participaram de lançamento do programa
No último dia 11 de outubro, Maria Lavínia, de 13 anos, fugiu de casa, deixou uma carta para a mãe, e passou a fazer parte dos mais de 2.600 registros de desaparecidos no Estado este ano. Para a felicidade da família, a angústia de ter um ente sumido durou poucos dias: no dia 15, a menina foi encontrada pelo major Marcos Claudino, e voltou para casa. Este foi o último caso de desaparecimento na Grande Florianópolis.
Nesta quarta-feira (24), familiares de desaparecidos, organizações não-governamentais e entidades ligadas à causa se reuniram na sede do Comando Geral da Polícia Militar para o lançamento do Programa S.O.S Desaparecidos. O programa é inédito no país e contará com uma estrutura própria na busca de desaparecidos. A Coordenadoria de Pessoas Desaparecidas será chefiada justamente pelo major Marcos Claudino, que encontrou Lavínia e já realizava trabalhos com entidades ligadas ao tema.
“Com uma estrutura própria poderemos ter respostas mais rápidas. Esse tipo de dedicação exclusiva vai ajudar muito”, explicou major Claudino. Como a Polícia Militar trabalha 24 horas por dia os sete dias da semana, a coordenadoria passará informações para as guarnições de rua. “A grande sacada é que teremos os 11.000 policiais militares ligados a esta coordenadoria”, declarou o comandante geral da PM, coronel Nazareno Marcineiro.
Nenhuma cidades catarinense possui delegacia especializa em desaparecidos. Por ano, no Brasil, são cerca de dois mil casos, 20% são crianças. Em Santa Catarina, são cerca de três mil casos por ano.
ONGs trabalharão em conjunto com a PM
Amanda Baldeke, da ONG Desaparecidos do Brasil, aprovou a iniciativa da Polícia Militar. “Será muito importante termos um órgão do Estado trabalhando nesta causa. Nós sempre contávamos com o apoio deles, mas agora isso se dará de forma oficial”, declarou.
Segundo levantamentos da Desaparecidos do Brasil, os desaparecimentos seguem certos padrões: crianças que são seqüestradas por pedófilos ou para tráfico humano; adolescentes, que podem ter seus paradeiros ligados desde a aventuras juvenis até aliciamentos para prostituição, principalmente, na Europa; adultos que muitas vezes insatisfeitos por diversos motivos decidem desaparecer; e os idosos, que muitas vezes sofrem de doenças que levam à delírios e perdas de memória.
“O principal foco é a criança e o adolescente, pois esses casos envolvem rapto para tráfico de pessoas. Nos casos dos adultos, quando se percebe que foi algo espontâneo, nós acabamos por não procurá-los mais”, explica Amanda.
Durante a solenidade de inauguração da coordenadoria, o soldado Lisboa, da PM de Itajaí, foi homenageado pelo comandante geral. O soldado, mesmo fora do horário de trabalho, se deslocou até Curitiba, no Paraná, atrás de uma menina que foi desaparecida na cidade de Itajaí.

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