Familiares de desaparecidos participaram de lançamento do programa
No último dia 11 de outubro, Maria Lavínia, de 13 anos, fugiu de casa, deixou uma carta para a mãe, e passou a fazer parte dos mais de 2.600 registros de desaparecidos no Estado este ano. Para a felicidade da família, a angústia de ter um ente sumido durou poucos dias: no dia 15, a menina foi encontrada pelo major Marcos Claudino, e voltou para casa. Este foi o último caso de desaparecimento na Grande Florianópolis.
Nesta quarta-feira (24), familiares de desaparecidos, organizações não-governamentais e entidades ligadas à causa se reuniram na sede do Comando Geral da Polícia Militar para o lançamento do Programa S.O.S Desaparecidos. O programa é inédito no país e contará com uma estrutura própria na busca de desaparecidos. A Coordenadoria de Pessoas Desaparecidas será chefiada justamente pelo major Marcos Claudino, que encontrou Lavínia e já realizava trabalhos com entidades ligadas ao tema.
“Com uma estrutura própria poderemos ter respostas mais rápidas. Esse tipo de dedicação exclusiva vai ajudar muito”, explicou major Claudino. Como a Polícia Militar trabalha 24 horas por dia os sete dias da semana, a coordenadoria passará informações para as guarnições de rua. “A grande sacada é que teremos os 11.000 policiais militares ligados a esta coordenadoria”, declarou o comandante geral da PM, coronel Nazareno Marcineiro.
Nenhuma cidades catarinense possui delegacia especializa em desaparecidos. Por ano, no Brasil, são cerca de dois mil casos, 20% são crianças. Em Santa Catarina, são cerca de três mil casos por ano.
ONGs trabalharão em conjunto com a PM
Amanda Baldeke, da ONG Desaparecidos do Brasil, aprovou a iniciativa da Polícia Militar. “Será muito importante termos um órgão do Estado trabalhando nesta causa. Nós sempre contávamos com o apoio deles, mas agora isso se dará de forma oficial”, declarou.
Segundo levantamentos da Desaparecidos do Brasil, os desaparecimentos seguem certos padrões: crianças que são seqüestradas por pedófilos ou para tráfico humano; adolescentes, que podem ter seus paradeiros ligados desde a aventuras juvenis até aliciamentos para prostituição, principalmente, na Europa; adultos que muitas vezes insatisfeitos por diversos motivos decidem desaparecer; e os idosos, que muitas vezes sofrem de doenças que levam à delírios e perdas de memória.
“O principal foco é a criança e o adolescente, pois esses casos envolvem rapto para tráfico de pessoas. Nos casos dos adultos, quando se percebe que foi algo espontâneo, nós acabamos por não procurá-los mais”, explica Amanda.
Durante a solenidade de inauguração da coordenadoria, o soldado Lisboa, da PM de Itajaí, foi homenageado pelo comandante geral. O soldado, mesmo fora do horário de trabalho, se deslocou até Curitiba, no Paraná, atrás de uma menina que foi desaparecida na cidade de Itajaí.
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